
O que o seguro residencial não cobre, e quase ninguém descobre antes de precisar
A apólice residencial padrão é barata porque cobre menos do que a maioria imagina. Conhecer as lacunas antes do sinistro custa uma leitura de dez minutos.
Ler o artigoA pergunta "de quanto você quer o seguro" é a pergunta errada. Existe uma conta simples que responde quanto a sua família precisaria, e ela leva quinze minutos.
Na maioria das contratações de seguro de vida, o capital segurado é escolhido por um critério só: quanto cabe no orçamento mensal. A pessoa decide pagar cento e poucos reais por mês e aceita o capital que vier.
É compreensível, mas é a conta invertida. O capital deveria vir primeiro, a partir de uma necessidade concreta, e só então se discute como torná-lo viável.
O capital segurado existe para cobrir o buraco financeiro que a ausência de uma pessoa abre. Ele tem quatro componentes.
1. Dívidas que não desaparecem. Financiamento imobiliário sem seguro prestamista, financiamento de veículo, empréstimos, cartão. Some tudo.
2. Despesas imediatas. Funeral, inventário, honorários, eventuais tributos sobre a transmissão de bens. É comum subestimar: inventário de patrimônio modesto já consome valor relevante, e demora.
3. Reposição de renda. Esta é a maior parcela. Quanto da renda mensal da família depende dessa pessoa, e por quantos meses a família precisaria desse valor até se reorganizar?
Uma referência prática: multiplique a parcela da renda mensal que ela sustenta por 36 a 60 meses. Família com filhos pequenos tende ao limite superior, porque o horizonte de dependência é mais longo.
4. Projetos que não deveriam morrer junto. Faculdade dos filhos, principalmente. Se existe intenção de bancar a formação, esse valor entra.
Somados os quatro, subtraia o que já existe: reservas financeiras, seguro em grupo da empresa, previdência com cobertura de risco, bens de liquidez rápida.
O que sobra é o capital segurado de que a família realmente precisa. Pode ser maior do que o imaginado, e quase nunca é o número redondo que se escolhe por hábito.
Muita gente considera estar coberta pelo seguro em grupo do empregador. Vale lembrar de três limitações:
Seguro em grupo é um bom complemento. É uma base frágil.
Seguro de vida deixou de ser apenas um valor pago após a morte. As coberturas que mais se utilizam em vida são:
Invalidez por acidente ou doença. Estatisticamente mais provável do que o óbito em idade ativa, e com impacto financeiro semelhante, porque a renda cessa e as despesas aumentam.
Doenças graves. Antecipa parte do capital no diagnóstico de condições previstas em contrato. Serve para custear tratamento e, principalmente, para atravessar o período sem trabalhar.
Diária por internação e auxílio funeral. Valores menores, acionamento frequente.
Omitir informação de saúde na contratação. É o caminho mais curto para a negativa. A declaração de saúde é parte do contrato.
Não atualizar os beneficiários. Casamento, divórcio, nascimento, falecimento. Beneficiário desatualizado gera disputa e atraso.
Contratar e nunca mais revisar. Capital adequado aos 30 anos, sem filhos e sem financiamento, não é adequado aos 42 com dois filhos e um imóvel financiado.
Não contar a ninguém. Apólice que a família desconhece não é acionada. Informe onde o documento está e qual a seguradora.
Refaça a conta dos quatro componentes uma vez ao ano, ou sempre que algo grande mudar na vida. É o tipo de revisão que não tem custo e que determina se o seguro vai cumprir o que foi contratado para cumprir.
A Análise de Risco Técnica é gratuita e sem compromisso.

A apólice residencial padrão é barata porque cobre menos do que a maioria imagina. Conhecer as lacunas antes do sinistro custa uma leitura de dez minutos.
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