A cena se repete. O síndico apresenta três cotações, os condôminos olham o número final, alguém pergunta por que não ficar com a mais barata, e a decisão é tomada em noventa segundos sobre a única variável que todo mundo entende: preço.
O problema não é a assembleia. É o material que chega nela.
Três cotações com valores diferentes, sem nada que explique por que são diferentes, convidam à escolha pelo menor número. É a decisão racional diante da informação disponível.
O que falta no material de sempre
Cotação de seguro é um documento comercial. Ela mostra o que a seguradora quer vender, no formato que convém a ela. Duas cotações podem ter:
- Importâncias seguradas diferentes para o mesmo prédio.
- Coberturas com o mesmo nome e limites muito distintos.
- Franquias que mudam o valor real da proteção.
- Itens presentes numa e simplesmente ausentes na outra.
Colocadas lado a lado sem tradução, parecem três preços para a mesma coisa. Não são.
O comparativo que resolve
O que muda a conversa é uma única página que ponha cobertura por cobertura, na mesma ordem, com limite e franquia visíveis, e uma coluna final indicando o que acontece se aquele evento ocorrer.
Algo assim, linha a linha:
- Incêndio e explosão: limite de cada proposta, franquia de cada proposta.
- Danos elétricos: idem.
- Vendaval e granizo: idem.
- Danos por água: idem.
- Responsabilidade civil do condomínio: idem.
- Vidros e portões: idem.
- Vida e acidentes dos funcionários: idem.
- Despesas com desentulho e recomposição de documentos: idem.
Quando as lacunas ficam visíveis, a pergunta da assembleia muda sozinha. Deixa de ser "por que esta é mais cara" e passa a ser "o que a mais barata não cobre".
A assembleia não decide mal por falta de juízo. Decide mal porque recebeu uma planilha de preços quando precisava de um comparativo de proteção.
Os três números que sustentam a defesa do síndico
Além do comparativo, três informações costumam encerrar a discussão:
O valor de reconstrução atualizado. Não o valor venal, não o valor de mercado dos apartamentos: quanto custaria reerguer a edificação hoje. É esse número que define se a apólice sofrerá rateio no sinistro.
O custo por unidade, por mês. Dividir o prêmio anual pelo número de unidades e por doze transforma um número assustador em algo da ordem de um lanche. A diferença entre a proposta completa e a proposta mínima costuma ser pequena quando apresentada assim.
O histórico de ocorrências do próprio condomínio. Nada convence mais do que a lista do que já aconteceu ali nos últimos anos, com a indicação de quais daqueles eventos teriam sido cobertos por cada proposta.
Como organizar a pauta
- Apresente primeiro o que o condomínio tem hoje, com as lacunas marcadas.
- Depois o que já aconteceu no prédio e o que teria sido coberto.
- Então o comparativo das propostas, cobertura por cobertura.
- Por último o custo por unidade ao mês, nunca o valor anual isolado.
- Registre em ata a recomendação técnica e a decisão tomada.
Esse último ponto não é burocracia. Se a assembleia optar pela proposta mais enxuta contra a recomendação registrada, a decisão passa a ser dela, e isso importa para a responsabilidade do síndico.
A Avantia monta esse comparativo antes de qualquer proposta, porque é ele, e não a cotação, que permite a um condomínio decidir com informação.