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Como levar a renovação do seguro para a assembleia sem a discussão virar preço

Toda assembleia que discute seguro acaba discutindo o valor da parcela. Existe uma forma de conduzir a pauta que desloca a conversa para o que importa, e ela cabe em uma página.

3 min de leitura Por Fabiano Baggenstoss

A cena se repete. O síndico apresenta três cotações, os condôminos olham o número final, alguém pergunta por que não ficar com a mais barata, e a decisão é tomada em noventa segundos sobre a única variável que todo mundo entende: preço.

O problema não é a assembleia. É o material que chega nela.

Três cotações com valores diferentes, sem nada que explique por que são diferentes, convidam à escolha pelo menor número. É a decisão racional diante da informação disponível.

O que falta no material de sempre

Cotação de seguro é um documento comercial. Ela mostra o que a seguradora quer vender, no formato que convém a ela. Duas cotações podem ter:

  • Importâncias seguradas diferentes para o mesmo prédio.
  • Coberturas com o mesmo nome e limites muito distintos.
  • Franquias que mudam o valor real da proteção.
  • Itens presentes numa e simplesmente ausentes na outra.

Colocadas lado a lado sem tradução, parecem três preços para a mesma coisa. Não são.

O comparativo que resolve

O que muda a conversa é uma única página que ponha cobertura por cobertura, na mesma ordem, com limite e franquia visíveis, e uma coluna final indicando o que acontece se aquele evento ocorrer.

Algo assim, linha a linha:

  • Incêndio e explosão: limite de cada proposta, franquia de cada proposta.
  • Danos elétricos: idem.
  • Vendaval e granizo: idem.
  • Danos por água: idem.
  • Responsabilidade civil do condomínio: idem.
  • Vidros e portões: idem.
  • Vida e acidentes dos funcionários: idem.
  • Despesas com desentulho e recomposição de documentos: idem.

Quando as lacunas ficam visíveis, a pergunta da assembleia muda sozinha. Deixa de ser "por que esta é mais cara" e passa a ser "o que a mais barata não cobre".

A assembleia não decide mal por falta de juízo. Decide mal porque recebeu uma planilha de preços quando precisava de um comparativo de proteção.

Os três números que sustentam a defesa do síndico

Além do comparativo, três informações costumam encerrar a discussão:

O valor de reconstrução atualizado. Não o valor venal, não o valor de mercado dos apartamentos: quanto custaria reerguer a edificação hoje. É esse número que define se a apólice sofrerá rateio no sinistro.

O custo por unidade, por mês. Dividir o prêmio anual pelo número de unidades e por doze transforma um número assustador em algo da ordem de um lanche. A diferença entre a proposta completa e a proposta mínima costuma ser pequena quando apresentada assim.

O histórico de ocorrências do próprio condomínio. Nada convence mais do que a lista do que já aconteceu ali nos últimos anos, com a indicação de quais daqueles eventos teriam sido cobertos por cada proposta.

Como organizar a pauta

  1. Apresente primeiro o que o condomínio tem hoje, com as lacunas marcadas.
  2. Depois o que já aconteceu no prédio e o que teria sido coberto.
  3. Então o comparativo das propostas, cobertura por cobertura.
  4. Por último o custo por unidade ao mês, nunca o valor anual isolado.
  5. Registre em ata a recomendação técnica e a decisão tomada.

Esse último ponto não é burocracia. Se a assembleia optar pela proposta mais enxuta contra a recomendação registrada, a decisão passa a ser dela, e isso importa para a responsabilidade do síndico.

A Avantia monta esse comparativo antes de qualquer proposta, porque é ele, e não a cotação, que permite a um condomínio decidir com informação.

Fabiano Baggenstoss
Fabiano Baggenstoss Engenheiro civil, ex-Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville e 13 anos à frente da engenharia de um hospital referência. Hoje desenha apólices a partir da inspeção, não do formulário.

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